segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CAMPANHAS ESTÃO MAIS TÉCNICAS E JURÍDICAS
Jotta Paiva
Do Oeste

A campanha eleitoral desse ano está sendo considerada pelos profissionais de marketing e assessores jurídicos como a mais rígida da história. O anúncio de que os tribunais Superior Eleitoral e Regional Eleitoral irão fiscalizar com mais rigor, tem mudado o ritmo de trabalho dos candidatos que parecem estar mais preocupados com a Justiça.As exigências com relação à propaganda dos candidatos estão entre os pontos mais comentados. A obrigatoriedade de identificação dos dados pessoais e documentos dos que contratam e de quem produz esse material muda a rotina das coligações que tem criado comissões para cuidar somente dessa questão.
Ao mesmo tempo em que o rigor preocupa as equipes, o setor contábil das candidaturas vê essas exigências com bons olhos, tendo em vista que isso ajudará a facilitar na hora da prestação de contas.Apesar do clima de tensão instalado desde os anúncios dos magistrados, existem diferenças entre as regiões do Rio Grande do Norte no que diz respeito aos cuidados e controle desses artifícios pelos postulantes. Para alguns, a diferença é bastante visível o que mostra a diferença de interpretação entre os representantes da justiça e do Ministério Público nas diversas regiões do Estado.
Segundo o coordenador de campanhas e assessor parlamentar João Dutra, que está nesse ramo desde a década de 1990 e que atua no Agreste, Seridó e Oeste, a diferença entre as regiões é bem explicita. Para ele, os candidatos seridoenses estão muito mais preocupados com as exigências ao passo que os oestanos ainda tentam levar a coisa na sorte.
As principais irregularidades apontadas por ele estão ligadas à propaganda eleitoral, tanto no material impresso quanto nas artes pintadas nas paredes que exigem entre outras informações, o CNPJ da coligação e o CPF ou CNPJ do contratado, assim como a tiragem, ou seja, o número de pinturas feitas.“
A resolução 22.715/07 da lei eleitoral está bastante rigorosa”, disse João, alertando ainda que em várias cidades, além desse problema, muitos candidatos e até eleitores, ficam incitando a prática de atividades que configuram crime eleitoral e gera indeferimento de candidatura e perda de mandato eletivo.“
A campanha no Oeste ainda está muito agressiva, se comparada a outras regiões do Estado. Acredito que isso está acontecendo porque as pessoas pensam que ainda podem agir como nos anos anteriores, onde havia muitas falhas na fiscalização desse trabalho”, complementa João Dutra.
Coordenador diz que regras mudam perfil de candidatos e eleitoresPara o coordenador de campanhas João Dutra, as novas regras, as proibições e as exigências dos órgãos de Justiça têm mudado o perfil dos candidatos e dos eleitores potiguares. Ele acha que com a retirada dos shows nos comícios o candidato assume definitivamente a postura de estrela da campanha.“

As pessoas agora saem de casa para ouvir os discursos, conhecer as propostas e sentir a verdade nas palavras dos candidatos”, explicou João, que acha isso um grande avanço, tendo em vista que agora o candidato precisa dedicar mais tempo na elaboração de propostas.“No Seridó as mobilizações estão surpreendendo. Mesmo sem os grandes comícios com artistas nacionais que reunia milhares de pessoas, a festa dos candidatos tem estado sempre lotada”, observa. João acredita também que a postura de quem se propõe a concorrer à eleição muda obrigatoriamente porque o torna um formador de idéias e opinião e não mais apenas uma liderança quista pelo povo.Segundo o coordenador, tudo isso ajuda também a formar um novo eleitor que agora exige mais. “Com a exploração da mídia para educação desse eleitor, ele está muito mais atento e, por isso, cobrando muito mais”, concluiu João Dutra.
Assessor jurídico diz que campanha está mais técnicaO advogado criminalista e professor universitário Gilmar Fernandes, que também atua na área eleitoral, disse que, ao contrário dos outros, esse é um pleito muito mais técnico. Além de jurídica, é também uma campanha muito contábil.

Para ele, os candidatos que não seguirem as regras eleitorais até podem ser eleitos, mas dificilmente tomarão posse ou executarão o seu mandato até o final. “A população está mais politizada e, portanto, pronta para denunciar”, disse.
Gilmar acredita que a atuação constante do Ministério Público e da Justiça na fiscalização de candidatos e coligações está fechando o cerco quanto às várias irregularidades que antes eram vistas com mais freqüência, o que torna essa uma campanha extremante técnica.Outro ponto analisado pelo advogado é que agora o trabalho realizado nas campanhas está mais profissionalizado. “Há quem diga que com o fim dos comícios a campanha ficou mais barata, pelo contrário, em muitos casos está até mais cara devido à necessidade de contratação de profissionais de gabarito para tomar de conta da organização do pleito”, finaliza Gilmar Fernandes.
Fonte: de Fato

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